Do lado de fora o caos chama por ela.
Sento na beira da cama, acaricio seu cabelo. Ela não responde. "Vamos sair daqui, há tanto a fazer. Acorda."
Eu preciso respirar. Eu ainda quero tentar mais uma vez, pelo menos. Ela apenas me olha e ri das minhas vontades.
Em geral sou eu quem ganha. Eu a levo para dançar, esquecemos nossos atritos. Hoje não.
Ela enfim se levanta, eu sigo seus movimentos. Lenta, olha através de mim e continua andando. Um pano, dois, três. Envolve o pescoço num laço tão forte. Sinto minhas pernas dormentes. "Não faça isso, querida" não sai. O ar já não é o bastante pra articular uma frase. "Vem, vamos voltar pra cama. Estou com sono. Deixamos pra sair amanhã." Ela dorme primeiro, feliz. Eu ainda acordada, me deixo dançar balançando as pernas no ar.