domingo, 20 de janeiro de 2013
Haunted love
Sem piedade, não pare! Continue jurando, continue jogando. Chore se for preciso, me faça acreditar. Segure as cordas, me faça enfiar o cano na boca. Me faça puxar o gatilho. Te ofereço o melhor disparo. Vamos, sem piedade! Essa é a prova mais linda de amor: fazer meus sonhos se espatifarem na parede atrás de mim.
Titereiros são quase deuses. Hoje me tornei ateu.
sábado, 5 de janeiro de 2013
O que dilacera
Não é o tempo que passa sem levar a dor. Não é ter medo do que está por vir. Tampouco é saber que é para o alheio que vai o que foi só meu. O que dilacera é saber que nada adiantou. Ainda sou o mesmo nada a espera de ser. Ainda sou o luto, ainda sou o coma. Página em branco, oco. O que sangra é não conseguir ir embora. Não poder ir. O que dilacera é ser o próprio esquecimento, sem conseguir esquecer.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
O que lembra
Dia de sol no domingo. Luz amena entrando na sala. Silêncio. Minhas cicatrizes, pintas e sinais do tempo. Instrumentos musicais. Programa de calouros. Noites de chuva. A gata aprontando. Minha irmã. A casa da B. Amarelo. Frango ensopado com batata. A hora de dormir. O ócio. Homem Aranha. O caminho de casa. Brinquedos. Frida. Van Gogh. Novela. Televisão ligada. Televisão enchendo o saco. Televisão desligada. Aquela música e aquela e aquela e aquela. Minha voz. Barulho de chave. Crianças. Filmes bobos. Louça na pia. Preguiça de cozinhar. Comida que não pula no prato. Primeiro dia de menstruação. Febre. A história das roupas. Praia. Dias de festa. Atraso de manhã. O que eu não preciso dizer. O que eu sei sem saber. Meus disparos. Meus lapsos no meio do assunto. Repetições. Cigarros demais. Briga com amigos. Cama vazia. Rua Aguiar. Dia de sol no domingo...
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