segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ela disse.

Quando você era menina eu fui embora com você pro Paraná. Você era tão pequena. Delicada... Eu não queria que você sofresse.
Quando você nasceu eu chorei tanto. Chorei quando vi que você era mulher. Eu não queria que você sofresse... Eu sabia que ia sofrer e eu não queria que você passasse tudo que eu passei.
Eu sempre odiei o Paraná. Que lugar miserável! Aquela gente fria, aquele frio. Miseráveis. Deus que me perdoe. Jeová, Deus de misericórdia. Olhai por aqueles que ferem as mulheres. Perdoai aqueles que nos tem feito mal. Eles. Os homens de coração impuro. Guardai-nos da mentira e do engodo. Protegei-nos e perdoa-lhes o pecado e o mal que nos fazem. Deus, amado e misericordioso. Olhai por ela! Cuida para que ela tenha um destino melhor...
Mas você quase morreu lá. Você era tão frágil e eu pensei... como é que ela vai sobreviver nesse mundo?

Desculpa não ser tão forte assim, mãe? Sua avó não respondeu nada... Jeová, dai-nos força...





diálogos e monólogos




Conta para ela. Vai, conta! Não, não acho. 
Assim. Isso! Tá gostoso... Você é tão gostosa. Assim... Chupa... 
Cala a boca!
Você me acha bonita? 
Chupa!
Eu não sei, não sei. Você acha que ela vai encarar numa boa? 
Hum...
Alô?
Hei, escuta, a gente não precisa dar um nome pra isso. Não hoje. Mas é que
Caiu. 
Isso! Lambe! Devagar.
Tô tão cansada.
Quem fala?
Para.
Eu sei. 
Eu já te ouvi dizendo isso. Larga a porra do celular e olha pra mim, caralho!
Claro que vai! É tudo tão simples! Normal. Natural. 
Tá me ouvindo? 
Para.
Agora me fode!
Por que você não me contou? Há quanto tempo?
Você acha mesmo?
Fala alguma coisa. Olha pra mim, porra!
Ela é super de boa. E a outra?
Abre...
Isso eu já ouvi antes. Isso eu já falei antes...
Goza, vai. Isso!
Tô morrendo de tesão nela. Ufa! Que alívio. Precisava dizer isso. 
Você precisa me dizer as coisas.
Não para.
Vocês podiam ter evitado? Vocês podiam ter evitado. 
Assim!!!
Deixa de ser boba!
Me deixa em paz.
Assim. 

domingo, 1 de maio de 2016

Fica maior quando encontra outro destino

Ela cansou de se narrar. Quem não compõe com o alheio baseia o olhar apenas no que interessa.

Parou de maravilhar-se com o que não era dela e ficou tanto tempo presa em si que se apaixonou pelo que já sabia. Isso é tão chato.

É preciso trabalho. É preciso que ela reencontre sua escrita. Precisa parar de se ler. Ler o entorno que também a narra.


É hora de mergulhar em outras histórias. Dar um desmergulho nela mesma.

Ela está de mudança. "Para tudo que não se diz" será agora "Para tudo que se pode ver."