Era muito simples. Todas as tardes nos encontrávamos perto da cantina. Discutíamos política, filosofia e raça. Eles, os meninos brancos, diziam que eu era boba, que só existia a raça humana. Eu parava de brigar. Eu queria ser tão inteligente quanto eles.
A gente estudava espanhol, francês e inglês. E a gente lia Schopenhauer e Nietzsche e se achava muito foda por isso.
Ele era o mais quieto. Eu achava que ele me detestava. Depois descobri que ele detestava estar vivo... Ele não entendia como eu ria tanto e de tudo. Mas eu também detestava estar viva.
Na última vez que tivemos uma conversa séria perto da cantina eu achei que ele era o mais sábio de nós... depois descobri que era tão idiota quanto eu . E agora ele escolheu não estar mais vivo. E eu não sei se fico feliz por ele. Não sei se sinto raiva. Às vezes só inveja.