quinta-feira, 28 de julho de 2011

Marcas

Eu olhava demoradamente para ela na cozinha. Nua, talvez com frio, pele tão branca, boca vermelha da minha. Dava para ver que eu estive nela pelo modo como andava, pelo rubor do rosto e dos mamilos, pelas marcas de dedos, pelo cheiro. Ela também esteve em mim. Procurei suas marcas. Eu não fico vermelha. Nada. A não ser um cheiro forte agridoce e a respiração ligeiramente ofegante. Assim nós somos. Eu lhe deixo marcas pelo corpo, ela me deixa tatuagens pelos pensamentos.

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